Eu imagino que você já tenha escutado que o TDAH “é uma doença inventada pelos laboratórios farmacêuticos” ou que é uma “medicalização” de comportamentos de indivíduos que são simplesmente diferentes dos demais, né?

Mas o que hoje chamamos de TDAH é descrito por médicos desde o século XVIII (Alexander Crichton, em 1798), muito antes de existir qualquer tratamento medicamentoso. No inicio do século XX, foi publicado um artigo no The Lancet, escrito por George Still (1902). A descrição de Still é quase idêntica a dos modernos manuais de diagnóstico, como o DSM-IV da Associação Americana de Psiquiatria.

Como seria possível uma doença inventada atravessar quase dois séculos com os mesmos sintomas?

Além disso, a molécula do metilfenidato, subtância dos medicamentos Ritalina e Concerta, foi sintetizada em laboratório pela primeira vez em 1944 por Leandro Panizzon, químico da indústria suíça. Panizzon nomeou, então, a substância de Ritalina em homenagem à sua esposa, que tinha como apelido Rita.

Sem contar que a Organização Mundial de Saúde – órgão internacional máximo nas questões relativas à saúde pública sem qualquer vinculação com a indústria farmacêutica – listou o TDAH como parte dos diagnósticos da Classificação Internacional das Doenças não só na sua última versão (CID-10) como nas anteriores (CID-8 e CID-9).

Então não tem como TDAH ser um transtorno inventado! Inclusive, essa #fakenews pode atrapalhar o tratamento de inúmeras crianças e adultos que não são corretamente diagnosticados.